E quando Violet Silver pensava estar sozinha, ela encontra-se personagem de um mundo vampiresco tanto sonhado quanto temido pelos humanos a sua volta. Seria ele merecedor de toda aquela fama? Violet descobrirá logo todos os segredos e mentiras daquele universo a qual realmente pertence. E nessa sufocante jornada ela terá consigo Brian Spencer, que não representa apenas o rei de todo aquele mundaréu, como também futuro senhor do fogo e do gelo. Ela provará, não só a si mesma como a todos, através do seu jeito autoritário e forte, que ela pode ser muito mais do que qualquer garota.
_____________________________________________________________________________
Capitulo 01 - Onde tudo começa.
Nunca me dei realmente bem com minha mãe. Mas nossas brigas nunca passavam de meras discussões em que ficávamos meses sem conversar uma com a outra. Porem desta fez foi diferente. Tão a ponto de que me fez arrumar minhas coisas e dar o fora de casa. Além de que eu precisava respirar. Ela me sufocava de mais com suas opiniões precipitadas sobre minhas atitudes, suas repreensões para o modo como me visto. Era demais ate para alguém calmo como papai, que há alguns anos atrás morreu de ataque cardíaco. A pura verdade é que sem ele aquela casa tinha se tornado meu inferno particular, porque alem da minha mãe, havia Avery. Minha irmã tinha um senso comum com minha mãe. As duas eram mais unidas do que carne e unha, se é que me entende. Avery era o tipo de garota que minha mãe se orgulhava de ter como filha: era Líder de torcida há dois anos, namorava o zagueiro do time de futebol da escola, notas altas, unhas bem feitas, se vestia de acordo com a moda... Já eu... Bem... O tipo perfeito de filha que minha mãe provavelmente adoraria se livrar. Muitos me chamavam de delinqüente, outros de drogada, mas para mim eu não era nada disso ou algo parecido. Era normal. Apenas com um senso maior do que é o mundo; uma noção que eu ganhei após a morte do meu amado pai.
Bom, mas assim que sai de casa pude finalmente começar a chorar. E eu bem sabia que aquelas lágrimas não eram pela briga, e sim pela enorme saudade que eu sentia do meu pai, aquele que sempre me defendia nas brigas.
Desci a rua da minha casa e segui em direção a estação principal. Não tinha outra opção. Eu tinha que ir embora, talvez por um tempo ou talvez para sempre. Não que eu quisesse isso, porque apesar de tudo eu amava minha mãe muito mais do que qualquer coisa no mundo. Era mais por obrigação, um dever. Afinal, como ficar ao lado de alguém que não quer você lá?
O metro parou e entrei. Sentei em um banco vazio, enquanto o trem dava partida. Louisiana. Era o meu destino, afinal. Eu iria morar com meu irmão mais velho, nessa cidade no sul dos E.U. A. David, após a morte de meu pai, não suportou ficar na casa onde ele havia morado. Ele era tão apegado a papai quanto eu, assim como seu relacionamento com mamãe era tão complicado quanto. Ele com certeza me entenderia e me acolheria.
---Oi --- alguém ao meu lado disse. Era um jovem, aproximadamente da minha idade.
Olhei para ele e decidi não responder ao seu comprimento.
--- Violet Silver Mason, peço que me escute. --- ele disse pausadamente,talvez decidindo ser um pouco menos educado.
Olhei assustada para o estranho. Como ele sabia quem eu era? Já havia policiais atrás de mim? Certamente não. Um desaparecimento só podia ser alertado a policia depois de 48h. Alem do que, ele era apenas um garoto e não estava uniformizado.
--- Desculpe, você me conhece? --- perguntei, aflita.
--- Você foi identificada como portadora do genes vampiresco e deve imediatamente nos acompanhar a Academia Wisdom vampiric. Seu prazo de vida na sociedade humana vence hoje: dia 23/02/2050, seu aniversário de 17 anos.
É surpreendente como alguém consegue esquecer seu próprio aniversario, pois afinal quando você passa anos da sua vida comemorando aquela data é normal que se lembre. Mas não eu. Porque aquela data para mim era algo mais. Eu me esqueci facilmente, porque foi exatamente no dia 23 de fevereiro que meu pai, tão jovem, sorridente e amado, morreu. E de alguma forma eu era culpada, responsável pelo acontecimento do maior dos meus medos. Se eu não eu o tivesse implorado para ficar naquela casa comigo, para não se separar de mamãe talvez naquele dia, meu aniversário de cinco anos, ele não teria tido um ataque cardíaco após uma breve discussão com sua mulher. Seu coração era fraco e eu sabia, no entanto não fiz nada para evitar. Desde então meu aniversário passou a ser a data em que a pessoa que eu mais amava morreu. Com o tempo apenas esqueci que dia 23 de fevereiro foi o dia em que eu nasci.
Essa data era bastante memorável. Meu aniversário, a morte do meu pai, o dia em que saí de casa e como se não bastasse, o dia que fui detectada como vampira.
--- Isso só pode ser uma porra de uma mentira --- eu sussurrei, em choque demais para pronunciar as palavras um pouco mais altas.
O cara retirou uma carteira do bolso de seu blazer e me mostrou, com o semblante fechado, meus dados.
A carteira era digital. Num pequeno cantinho do lado esquerdo dela, passavam varias fotos minhas, que eu não me lembrava de ter tirado. No lado oposto, havia a data do meu nascimento e o nome dos meus pais “humanos”. Tinha outros campos vazios como: pais biológicos, afinidade para/com, linhagem, tipo sanguíneo, descendência real... Entre outras coisas que eu não pude ler, pois o garoto havia fechado a carteira em um “baack!” alto, que me faz pular no assento.
--- Não importa. Eu não vou. --- provavelmente não era como todos diziam. Devia ser uma porcaria sem tamanho, com reis estúpidos e castelos mal-acabados. Afinal, não era a Disney.
A sociedade vampiresca foi revelada ao mundo no ano de 2014, quando o presidente, ou melhor dizendo, rei Taylor B. Bacartner, também conhecido como o pai dos vampiros, se revelou ao mundo, fazendo acordos com o presidente dos EUA. A humanidade ficou bestializada, pois a fantasia virara realidade. Os que todos pensavam serem seres mitológicos jaziam por entre as ruas de todos e quaisquer países desde sempre. No inicio foi o terror, pois após provarem a existência de tais criaturas, as pessoas temiam que tudo o que se dizia nas historias de terror fossem verdade, como, a metamorfose para morcego, a agilidade, força e rapidez exageradas, e a mais importante de todas: o consumo de sangue humano. Surgiram então, os caçadores de vampiros, o que ate hoje não estão extintos. Porém, após algum tempo, Taylor B. Bacartner revelou a humanidade todos os artifícios e segredos dos seres como ele. Explicou que era apenas mito a existência da metamorfose para morcego. A força, agilidade e rapidez, no entanto, eram verdadeiras. Quanto ao consumo de sangue humano, declarou ser uma meia verdade, porque os vampiros necessitavam sim, de sangue, para sobreviver, mas não tinha necessidade de ser sangue humano. Podia ser fornecido de outros animais, quanto poderia ser sintético. Esse ultimo tipo de sangue citado, era uma novidade para os humanos. Era o sangue quimicamente produzido. Taylor B. foi o criador da formula e estava produzindo em maior quantidade.
Também foi revelada aos humanos, nessa mesma época, a existência de um mundo vampiro. Não se deu a localização de tal lugar, pois seus portões, assim dizendo, não eram visíveis para ninguém sem o genes vampiresco pertencente àrealeza.
Outra coisa importante sobre vampiros era que mutação não ocorria ate os 17 anos. Ate esta data aqueles que preferirem ficar no mundo humano podiam, porque antes de tal data o vampiro era como um humano, só possuía o genes diferenciado. Depois dos 17 a mutação podia ocorrer durante um longo período, ate os 60 anos. Isso variava de vampiro para vampiro, como fator decisivo, a sua linhagem. E ate essa mutação ocorrer eles deveriam ter contato com outros da mesma espécie. Caso contrario, definhariam em trono de 3 anos.
--- Você não pode. Não é maior de idade, e não sabemos quem são seus pais biológicos. Sem a autorização deles você não pode se auto condenar a morte. Deve me acompanhar ate a academia. Deve permanecer por lá ate os 18 anos. Então pode, enfim, decidir que rumo quer tomar.
Pensei por um instante. Ate que não podia ser pior do que já estava. Eu estava sem casa, sem rumo. A única pessoa que me queria por perto havia morrido. Nada me prendia aqui. E afinal, se lá fosse como todos comentavam seria uma boa. Se não fosse, eu precisava passar um ano depois dava o fora.
--- Ta. Ok. Eu vou. Não é como se eu tivesse outras opções. --- eu disse.
--- Vamos à sua casa pegar suas coisas, se você estiver de acordo, é claro--- ele disse
--- Ãnh... Não vamos precisar, camarada. Para sua sorte, eu estava saindo de casa hoje. --- eu ergui minhas malas ao alcance de seus olhos.
--- Tem certeza que não deseja pegar mais nada, senhorita? --- ele perguntou, pegando minhas duas malas em uma mão, sem o menor esforço.
--- Certeza.
Ele confirmou com a cabeça e se levantou. Junto com ele, se levantaram mais duas pessoas. Uma mulher que aparentava ter uns 40 anos e outro homem com aproximadamente a mesma idade.
O metro chegou à próxima estação e parou.
Nós ficamos em pé, em frente à lanchonete da estação, enquanto o homem que se levantou com agente no metro falava ao telefone.
--- Você me seguiu? --- perguntei, repentinamente, ao garoto do qual eu havia conversado no metro.
--- Sim. Nós estávamos indo ate sua casa para lhe fazer a intimação, quando vimos você saindo. Te seguimos ate a estação e pegamos o metro junto com você. --- ele respondeu
--- Ah sim. E como é lá, quer dizer, o famoso mundo Blood Red é realmente como todos dizem? --- perguntei curiosa.
--- O que todos dizem?
--- Que é perfeito. --- respondi simplesmente.
--- Terá que ver pelos seus próprios olhos. --- ele disse com um sorriso presunçoso.
Nossa conversa terminou ali.
Uma hora mais tarde, uma limusine nos pegou perto da estação e então fomos ate o aeroporto mais próximo.
Pegamos um jatinho para algum lugar que eu não sabia onde era.
Depois que o jatinho pousou, e eu finalmente coloquei os olhos naquele diferente mundo, eu não acreditei ser real.
O castelo me parecia ainda mais perfeito do que falavam. Tinha um portão gigante e prateado. Ele era ornamentado por uma figura de dois seres. Um homem, cuja suas mãos pairava uma encantadora bola de fogo, e uma mulher, de frente ao mesmo, com um caminho do que parecia ser água dançando sobre seus dedos longos e finos. Por trás das grades do portão estava a maior construção que já havia visto. Não se comparava aos prédios da cidade. Era muito, muito maior.
O mais impressionante era arquitetura. Completamente desenhada. Como se quem a tivesse desenhado tivesse pensado em cada mínimo detalhe, para atingir o patamar o qual atingiu.
O garoto que falara comigo no metrô falou algo com o porteiro. Uma palavra da qual não pôde decifrar. Algo parecido com AHJERAD.Depois digitou alguns números num pequeno aparelho que o porteiro lhe deu.
O portão abriu. O garoto me pegou pelo braço e me colocou para dentro do mesmo, que se fechou depois que a mulher e o homem, que estavam nos acompanhando, entraram.
Olhei tudo ao redor.
Alem da arquitetura gigante e magnífica, o jardim era absurdamente lindo. Flores de cores bem vivas apareciam por todo o lugar. Havia também uma linda fonte na entrada.
Um pouco a frente tinha um corredor quase vazio, se não fosse por um aglomerado de mais ou menos 10 pessoas, ou vampiros, não sei bem como definir, em frente a uma grande porta de madeira bem escura.
--- O que acha? --- me perguntou o garoto.
--- Uau! --- foi só o que eu consegui dizer.
Ele sorriu e então disse para eu acompanha - lo.
Fomos para o aglomerado de pessoas e paramos lá. Todos conversavam animadamente e me senti deslocada. Encostei na parede, tentando descansar minhas pernas. Não estava tentando ser introvertida nem nada parecido, mais é só que eles pareciam que se conheciam há anos. Todos eles.
O garoto do metrô saiu de perto de mim e foi conversar com uma garota que estava parada em frente à porta.
--- Onde estão Charlie e Melinda? --- perguntou ele a ela.
--- Foram buscar dois garotos em Bordeaux. Indefinidos também.
--- Brian não vai ficar satisfeito.
--- Ele alguma vez esteve? --- perguntou ela com evidente ironia.
--- Ah, desde que assumiu o trono ele tem andado estranho ate mesmo comigo.
--- Era de se esperar. --- ela disse. --- Mas e a garota do mundo humano? Foi difícil de traze - la? --- perguntou ela.
No minuto seguinte ele se virou em minha direção, e eu fingi encarar a parede a cima deles, com um olhar deslumbrado para a “arquitetura”.
Ele desviou o olhar para responder a pergunta dela.
--- Na realidade não. Chegamos em um momento oportuno. Ela estava fugindo de casa após brigar com a mãe.
--- Não me diga. --- ela se virou para me olhar. Não consegui desviar os olhos rápido o suficiente. Ela me fitou por um tempo e então perguntou a ele que também havia se virado para me olhar.
--- Ela pode nos ouvir?---
--- Claro que não. Estamos muito longe, e ela nem mesmo passou pela transformação.
--- É, sim ... obvio.--- a garota assentiu desconcertada. ---Acho que me acostumei demais com os ouvidos sensíveis do rei.
--- Isso é completamente normal, Jessica. Com o tempo você vai acabar acostumando.
--- Espero que sim, Damon --- disse ela, em um sorriso bobo.
Parei de escutar a conversa deles, e me virei para algo mais interessante. O mundo Blood Red. O mundo vampiro era sim como todos diziam. Pelo menos a pequena parte que eu conhecia era arejada, iluminada, colorida... Belíssima. Faltavam-me adjetivos para descrever o lugar. Surpreendentemente eu esperava ansiosa para conhecer o resto. Deduzi que aquela pequena parte deveria ser a Academia Wisdom vampiric. Era a escola de vampiros. Após se formarem aqui, os alunos deveriam decidir o que fazer da própria vida. Era como o mundo humano. Arranjar um trabalho, casar-se. Simples assim.
Meia hora mais tarde apareceram uma senhora e um senhor acompanhados de dois garotos.
--- São os últimos. --- disseram a Damon.
--- Vou entrar primeiro, e chamá-lo. Avisar que eles chegaram. Depois abro as portas para vocês entrarem, tudo bem? --- questionou Damon
--- Claro. --- Jessica respondeu.
Ele então, expirou profundamente, e entrou na sala, fechando a porta de madeira atrás de si.
Mais dez minutos foram precisos ate que aquelas enormes portas fossem abertas novamente. Eu não agüentava mais esperar. E também, estava completamente cansada.
Nós adentramos em um salão muito grande. A metade do salão tinha paredes vermelho sangue, uma mesa com forro igualmente vermelho ornamentada com castiçais e arranjos de frutas. Mais daquele lado o que mais chamou minha atenção fora um trono que parecia estar sobre um fogaréu, pois seu formato era como chamas em um incêndio. A outra metade do salão era num azul tão claro que quase parecia branco. Havia um trono igualmente lindo como o anterior, porem esse parecia esculpido em gelo e brilhava como cristal.
Bom, certamente aquele lugar deveria ser à sala real dos vampiros, da qual eu já tinha ouvido falar, porém muito vagamente. Se isso fosse realmente uma verdade, eu poderia também supor que ali se encontra a maior corte de todos os tempos, onde de um lado reinava os Ice’s e do outro o lado o reino dos Fire’s, o que provavelmente significa, fogo e gelo, juntos, dando equilíbrio a natureza.
--- Não é de se surpreender que esse reino esteja um completo e total lixo. Cada dia mais me aparecem indefinidos. – surgiu uma voz retumbante no salão.
Logo após, entrou um belo garoto a passos firmes em nossa direção. Damon lhe seguia. De repente cada um dos meus “colegas” formaram um a fila não muito alinhada, me deixando como ultima da mesma. Todos eles, também, olhavam fascinados para o garoto. Virei a cabeça para encará-lo melhor.
Ele tinha cerca de 1,90 de altura, cabelos pretos, curtos e desordenados, corpo definido e tonificado. E por fim seus olhos, vermelhos como rubi. Um garoto tão estonteante que eu entendi porque todos estavam hipnotizados. Com certeza o garoto mais belo que já havia visto.
Ele parou a meio metro do primeiro da fila e fechou os olhos e alguns minutos depois disse:
--- Fire.
Em seguida se dirigiu para o segundo da fila. Refez o procedimento do primeiro e disse:
--- Ice. --- com certa amargura da voz.
E assim ele continuou, um a um, ora dizendo Fire ora dizendo Ice, ate que finalmente parou de frente a mim.
Fechou seus olhos e eu me perguntei se estaria concentrando. Alguns minutos, muito demorados, ele abriu os olhos e havia um misto de confusão e raiva ali. Ele me olhou pelo que pareceu uma eternidade e então disse:
--- Quem são seus pais? Pertencem a qual linhagem? ---
Olhei para ele me perguntando se ele estaria brincando. Alguma coisa me dizia que não. Definitivamente não.
--- Eu não sei sobre o que esta falando. Mas já que me pergunto, eu não conhec... --- ele me cortou
--- Como assim não sabe do que estou falando? Como ousa me tratar de tal maneira? --- ele perguntou raivosamente, mas, em seus olhos, havia um fio de divertimento, e seus cantos da boa subiram em um meio sorriso sarcástico e intimidador.
--- Eu Ousei o que? Qual é. Não estamos na idade média. --- eu ri.
O pequeno sorriso, ainda que sarcástico, que estivera ali antes desaparecera e seus olhos avermelhados foram tomados por uma onda de raiva.
--- Com licença, senhor. --- Damon, atrás do garoto, disse hesitantemente.
--- O que? --- perguntou ele enfim desviando os olhos de mim
--- Eu acho que ela realmente não sabe do que você esta falando. Ela é a do mundo humano. --- ele declarou.
Após alguns segundos a expressão do garoto se suavizou e ele sorriu para mim.
--- Nesse caso, minhas desculpas mon chéri ---
--- Oh claro que lhe desculpo “mon Cher”, pois seria um esforço muito grande para você que me deixasse falar em vez de se mostrar tão sem educação.
Raiva cresceu em seus olhos novamente mais o seu sorriso permaneceu.
--- Você sabe quem eu sou? – Ele perguntou, rindo abertamente
--- Creio que não, já que você não se apresentou. --- eu disse--- Mas você também não sabe quem eu sou --- eu continuei
Confusão passou por sua expressão
Ele riu. Uma gargalhada estrondosa. --- E quem é você?
--- Violet Silver. Para os amigos, apenas Vih. --- eu disse confiante. --- E você? Quem seria?
--- Eu? Eu seria Brian Theodor Thompson Spencer. Único Herdeiro vivo dos dois reinos. --- ele sorriu e elevou uma sobrancelha, parecendo me questionar.
Eu apenas sorri. Porque eu já sabia que ele deveria ser alguém importante. Pensei que talvez fosse o príncipe dos Fire já que sua roupa era negra com desenho de chamas que pareciam dançar sobre ela. Ou talvez sua postura ereta e desafiadora. Ou o seu jeito de ser superior sobre os demais e também havia os guardas que lhe clamavam de senhor a todo o momento.
--- Muito Prazer, Brian.
--- Nem um pouco intimidante? Horrorizada? --- ele perguntou e eu sabia que ele se referia ao fato dele ser o rei.
--- Um pouco decepcionada, na verdade. --- o que não era uma total mentira, porque o modo como se postava diante os outros, considerados por ele inferiores, me mostrava o quão aquele cara deveria ser ignorante e pretensioso.
Sua reação foi totalmente contrária à que eu esperava. Ele riu e então declarou, um pouco mais alto:
--- Creio que essa conversa vai demorar bastante, então espere um segundo enquanto dispenso os outros e lhes dou os horários para as aulas e podemos terminar nossa pequena discussão.
Ele entregou um pequeno papel um a um e então os meus colegas começaram a sair da sala real seguindo os guardas de Brian, no entanto, ele próprio permaneceu, sentou – se no trono vermelho e ficou então me olhando diretamente nos olhos.
Encarei aquilo com grande surpresa. Ele ficaria acomodado naquele grande trono macio, enquanto eu ficaria em pé, depois de passadas horas desse mesmo jeito? Na realidade eu não colocará meu traseiro sentado desde que havia chegado. Um total absurdo. Além de que aquela situação parecia lhe dar poder, superioridade sobre mim, não que isso não fosse verdade.
--- Vejo que a hospitalidade aqui não é grande coisa, então, com licença, mas eu vou descansar primeiro, e se puder, vou comer alguma coisa mais tarde. Estou exausta. Depois podemos enfim conversar como duas pessoas civilizadas.
--- Pessoas? Não mon chéri. Somos vampiros.
--- Ah ok! Esqueci-me desse detalhe. --- eu disse e como em resposta a “detalhe” ele ergueu a sobrancelha.
--- Você não pode ir enquanto eu não decidir em qual reino ficara. Eu quase posso sentir a chama dos Fire em você, no entanto não tenho certeza.
Continuei calada esperando. Porque na realidade para mim não me importava se eu ficaria em um reino ou no outro. Todos os dois pareciam bons para minha nova vida.
--- Bom, já que parece não ter nenhuma objeção, é nele que você ficara. No entando, me visitará diariamente para ver se consigo sentir algo em você. Na realidade você é um enigma. Nunca houve ninguém que eu não pudesse sentir.
--- Sempre existem exceções. Olha, eu preciso realmente descansar então já que já se decidiu em qual reino ficarei você não quer me dar aquele papelzinho que deu a todos os outros, para que eu possa finalmente sentar?
Nunca me dei realmente bem com minha mãe. Mas nossas brigas nunca passavam de meras discussões em que ficávamos meses sem conversar uma com a outra. Porem desta fez foi diferente. Tão a ponto de que me fez arrumar minhas coisas e dar o fora de casa. Além de que eu precisava respirar. Ela me sufocava de mais com suas opiniões precipitadas sobre minhas atitudes, suas repreensões para o modo como me visto. Era demais ate para alguém calmo como papai, que há alguns anos atrás morreu de ataque cardíaco. A pura verdade é que sem ele aquela casa tinha se tornado meu inferno particular, porque alem da minha mãe, havia Avery. Minha irmã tinha um senso comum com minha mãe. As duas eram mais unidas do que carne e unha, se é que me entende. Avery era o tipo de garota que minha mãe se orgulhava de ter como filha: era Líder de torcida há dois anos, namorava o zagueiro do time de futebol da escola, notas altas, unhas bem feitas, se vestia de acordo com a moda... Já eu... Bem... O tipo perfeito de filha que minha mãe provavelmente adoraria se livrar. Muitos me chamavam de delinqüente, outros de drogada, mas para mim eu não era nada disso ou algo parecido. Era normal. Apenas com um senso maior do que é o mundo; uma noção que eu ganhei após a morte do meu amado pai.
Bom, mas assim que sai de casa pude finalmente começar a chorar. E eu bem sabia que aquelas lágrimas não eram pela briga, e sim pela enorme saudade que eu sentia do meu pai, aquele que sempre me defendia nas brigas.
Desci a rua da minha casa e segui em direção a estação principal. Não tinha outra opção. Eu tinha que ir embora, talvez por um tempo ou talvez para sempre. Não que eu quisesse isso, porque apesar de tudo eu amava minha mãe muito mais do que qualquer coisa no mundo. Era mais por obrigação, um dever. Afinal, como ficar ao lado de alguém que não quer você lá?
O metro parou e entrei. Sentei em um banco vazio, enquanto o trem dava partida. Louisiana. Era o meu destino, afinal. Eu iria morar com meu irmão mais velho, nessa cidade no sul dos E.U. A. David, após a morte de meu pai, não suportou ficar na casa onde ele havia morado. Ele era tão apegado a papai quanto eu, assim como seu relacionamento com mamãe era tão complicado quanto. Ele com certeza me entenderia e me acolheria.
---Oi --- alguém ao meu lado disse. Era um jovem, aproximadamente da minha idade.
Olhei para ele e decidi não responder ao seu comprimento.
--- Violet Silver Mason, peço que me escute. --- ele disse pausadamente,talvez decidindo ser um pouco menos educado.
Olhei assustada para o estranho. Como ele sabia quem eu era? Já havia policiais atrás de mim? Certamente não. Um desaparecimento só podia ser alertado a policia depois de 48h. Alem do que, ele era apenas um garoto e não estava uniformizado.
--- Desculpe, você me conhece? --- perguntei, aflita.
--- Você foi identificada como portadora do genes vampiresco e deve imediatamente nos acompanhar a Academia Wisdom vampiric. Seu prazo de vida na sociedade humana vence hoje: dia 23/02/2050, seu aniversário de 17 anos.
É surpreendente como alguém consegue esquecer seu próprio aniversario, pois afinal quando você passa anos da sua vida comemorando aquela data é normal que se lembre. Mas não eu. Porque aquela data para mim era algo mais. Eu me esqueci facilmente, porque foi exatamente no dia 23 de fevereiro que meu pai, tão jovem, sorridente e amado, morreu. E de alguma forma eu era culpada, responsável pelo acontecimento do maior dos meus medos. Se eu não eu o tivesse implorado para ficar naquela casa comigo, para não se separar de mamãe talvez naquele dia, meu aniversário de cinco anos, ele não teria tido um ataque cardíaco após uma breve discussão com sua mulher. Seu coração era fraco e eu sabia, no entanto não fiz nada para evitar. Desde então meu aniversário passou a ser a data em que a pessoa que eu mais amava morreu. Com o tempo apenas esqueci que dia 23 de fevereiro foi o dia em que eu nasci.
Essa data era bastante memorável. Meu aniversário, a morte do meu pai, o dia em que saí de casa e como se não bastasse, o dia que fui detectada como vampira.
--- Isso só pode ser uma porra de uma mentira --- eu sussurrei, em choque demais para pronunciar as palavras um pouco mais altas.
O cara retirou uma carteira do bolso de seu blazer e me mostrou, com o semblante fechado, meus dados.
A carteira era digital. Num pequeno cantinho do lado esquerdo dela, passavam varias fotos minhas, que eu não me lembrava de ter tirado. No lado oposto, havia a data do meu nascimento e o nome dos meus pais “humanos”. Tinha outros campos vazios como: pais biológicos, afinidade para/com, linhagem, tipo sanguíneo, descendência real... Entre outras coisas que eu não pude ler, pois o garoto havia fechado a carteira em um “baack!” alto, que me faz pular no assento.
--- Não importa. Eu não vou. --- provavelmente não era como todos diziam. Devia ser uma porcaria sem tamanho, com reis estúpidos e castelos mal-acabados. Afinal, não era a Disney.
A sociedade vampiresca foi revelada ao mundo no ano de 2014, quando o presidente, ou melhor dizendo, rei Taylor B. Bacartner, também conhecido como o pai dos vampiros, se revelou ao mundo, fazendo acordos com o presidente dos EUA. A humanidade ficou bestializada, pois a fantasia virara realidade. Os que todos pensavam serem seres mitológicos jaziam por entre as ruas de todos e quaisquer países desde sempre. No inicio foi o terror, pois após provarem a existência de tais criaturas, as pessoas temiam que tudo o que se dizia nas historias de terror fossem verdade, como, a metamorfose para morcego, a agilidade, força e rapidez exageradas, e a mais importante de todas: o consumo de sangue humano. Surgiram então, os caçadores de vampiros, o que ate hoje não estão extintos. Porém, após algum tempo, Taylor B. Bacartner revelou a humanidade todos os artifícios e segredos dos seres como ele. Explicou que era apenas mito a existência da metamorfose para morcego. A força, agilidade e rapidez, no entanto, eram verdadeiras. Quanto ao consumo de sangue humano, declarou ser uma meia verdade, porque os vampiros necessitavam sim, de sangue, para sobreviver, mas não tinha necessidade de ser sangue humano. Podia ser fornecido de outros animais, quanto poderia ser sintético. Esse ultimo tipo de sangue citado, era uma novidade para os humanos. Era o sangue quimicamente produzido. Taylor B. foi o criador da formula e estava produzindo em maior quantidade.
Também foi revelada aos humanos, nessa mesma época, a existência de um mundo vampiro. Não se deu a localização de tal lugar, pois seus portões, assim dizendo, não eram visíveis para ninguém sem o genes vampiresco pertencente àrealeza.
Outra coisa importante sobre vampiros era que mutação não ocorria ate os 17 anos. Ate esta data aqueles que preferirem ficar no mundo humano podiam, porque antes de tal data o vampiro era como um humano, só possuía o genes diferenciado. Depois dos 17 a mutação podia ocorrer durante um longo período, ate os 60 anos. Isso variava de vampiro para vampiro, como fator decisivo, a sua linhagem. E ate essa mutação ocorrer eles deveriam ter contato com outros da mesma espécie. Caso contrario, definhariam em trono de 3 anos.
--- Você não pode. Não é maior de idade, e não sabemos quem são seus pais biológicos. Sem a autorização deles você não pode se auto condenar a morte. Deve me acompanhar ate a academia. Deve permanecer por lá ate os 18 anos. Então pode, enfim, decidir que rumo quer tomar.
Pensei por um instante. Ate que não podia ser pior do que já estava. Eu estava sem casa, sem rumo. A única pessoa que me queria por perto havia morrido. Nada me prendia aqui. E afinal, se lá fosse como todos comentavam seria uma boa. Se não fosse, eu precisava passar um ano depois dava o fora.
--- Ta. Ok. Eu vou. Não é como se eu tivesse outras opções. --- eu disse.
--- Vamos à sua casa pegar suas coisas, se você estiver de acordo, é claro--- ele disse
--- Ãnh... Não vamos precisar, camarada. Para sua sorte, eu estava saindo de casa hoje. --- eu ergui minhas malas ao alcance de seus olhos.
--- Certeza.
Ele confirmou com a cabeça e se levantou. Junto com ele, se levantaram mais duas pessoas. Uma mulher que aparentava ter uns 40 anos e outro homem com aproximadamente a mesma idade.
O metro chegou à próxima estação e parou.
Nós ficamos em pé, em frente à lanchonete da estação, enquanto o homem que se levantou com agente no metro falava ao telefone.
--- Você me seguiu? --- perguntei, repentinamente, ao garoto do qual eu havia conversado no metro.
--- Sim. Nós estávamos indo ate sua casa para lhe fazer a intimação, quando vimos você saindo. Te seguimos ate a estação e pegamos o metro junto com você. --- ele respondeu
--- Ah sim. E como é lá, quer dizer, o famoso mundo Blood Red é realmente como todos dizem? --- perguntei curiosa.
--- O que todos dizem?
--- Que é perfeito. --- respondi simplesmente.
--- Terá que ver pelos seus próprios olhos. --- ele disse com um sorriso presunçoso.
Nossa conversa terminou ali.
Uma hora mais tarde, uma limusine nos pegou perto da estação e então fomos ate o aeroporto mais próximo.
Pegamos um jatinho para algum lugar que eu não sabia onde era.
Depois que o jatinho pousou, e eu finalmente coloquei os olhos naquele diferente mundo, eu não acreditei ser real.
O castelo me parecia ainda mais perfeito do que falavam. Tinha um portão gigante e prateado. Ele era ornamentado por uma figura de dois seres. Um homem, cuja suas mãos pairava uma encantadora bola de fogo, e uma mulher, de frente ao mesmo, com um caminho do que parecia ser água dançando sobre seus dedos longos e finos. Por trás das grades do portão estava a maior construção que já havia visto. Não se comparava aos prédios da cidade. Era muito, muito maior.
O mais impressionante era arquitetura. Completamente desenhada. Como se quem a tivesse desenhado tivesse pensado em cada mínimo detalhe, para atingir o patamar o qual atingiu.
O garoto que falara comigo no metrô falou algo com o porteiro. Uma palavra da qual não pôde decifrar. Algo parecido com AHJERAD.Depois digitou alguns números num pequeno aparelho que o porteiro lhe deu.
O portão abriu. O garoto me pegou pelo braço e me colocou para dentro do mesmo, que se fechou depois que a mulher e o homem, que estavam nos acompanhando, entraram.
Olhei tudo ao redor.
Alem da arquitetura gigante e magnífica, o jardim era absurdamente lindo. Flores de cores bem vivas apareciam por todo o lugar. Havia também uma linda fonte na entrada.
Um pouco a frente tinha um corredor quase vazio, se não fosse por um aglomerado de mais ou menos 10 pessoas, ou vampiros, não sei bem como definir, em frente a uma grande porta de madeira bem escura.
--- O que acha? --- me perguntou o garoto.
--- Uau! --- foi só o que eu consegui dizer.
Ele sorriu e então disse para eu acompanha - lo.
Fomos para o aglomerado de pessoas e paramos lá. Todos conversavam animadamente e me senti deslocada. Encostei na parede, tentando descansar minhas pernas. Não estava tentando ser introvertida nem nada parecido, mais é só que eles pareciam que se conheciam há anos. Todos eles.
O garoto do metrô saiu de perto de mim e foi conversar com uma garota que estava parada em frente à porta.
--- Onde estão Charlie e Melinda? --- perguntou ele a ela.
--- Foram buscar dois garotos em Bordeaux. Indefinidos também.
--- Brian não vai ficar satisfeito.
--- Ele alguma vez esteve? --- perguntou ela com evidente ironia.
--- Ah, desde que assumiu o trono ele tem andado estranho ate mesmo comigo.
--- Era de se esperar. --- ela disse. --- Mas e a garota do mundo humano? Foi difícil de traze - la? --- perguntou ela.
No minuto seguinte ele se virou em minha direção, e eu fingi encarar a parede a cima deles, com um olhar deslumbrado para a “arquitetura”.
Ele desviou o olhar para responder a pergunta dela.
--- Na realidade não. Chegamos em um momento oportuno. Ela estava fugindo de casa após brigar com a mãe.
--- Não me diga. --- ela se virou para me olhar. Não consegui desviar os olhos rápido o suficiente. Ela me fitou por um tempo e então perguntou a ele que também havia se virado para me olhar.
--- Ela pode nos ouvir?---
--- Claro que não. Estamos muito longe, e ela nem mesmo passou pela transformação.
--- É, sim ... obvio.--- a garota assentiu desconcertada. ---Acho que me acostumei demais com os ouvidos sensíveis do rei.
--- Isso é completamente normal, Jessica. Com o tempo você vai acabar acostumando.
--- Espero que sim, Damon --- disse ela, em um sorriso bobo.
Parei de escutar a conversa deles, e me virei para algo mais interessante. O mundo Blood Red. O mundo vampiro era sim como todos diziam. Pelo menos a pequena parte que eu conhecia era arejada, iluminada, colorida... Belíssima. Faltavam-me adjetivos para descrever o lugar. Surpreendentemente eu esperava ansiosa para conhecer o resto. Deduzi que aquela pequena parte deveria ser a Academia Wisdom vampiric. Era a escola de vampiros. Após se formarem aqui, os alunos deveriam decidir o que fazer da própria vida. Era como o mundo humano. Arranjar um trabalho, casar-se. Simples assim.
Meia hora mais tarde apareceram uma senhora e um senhor acompanhados de dois garotos.
--- São os últimos. --- disseram a Damon.
--- Vou entrar primeiro, e chamá-lo. Avisar que eles chegaram. Depois abro as portas para vocês entrarem, tudo bem? --- questionou Damon
--- Claro. --- Jessica respondeu.
Ele então, expirou profundamente, e entrou na sala, fechando a porta de madeira atrás de si.
Mais dez minutos foram precisos ate que aquelas enormes portas fossem abertas novamente. Eu não agüentava mais esperar. E também, estava completamente cansada.
Nós adentramos em um salão muito grande. A metade do salão tinha paredes vermelho sangue, uma mesa com forro igualmente vermelho ornamentada com castiçais e arranjos de frutas. Mais daquele lado o que mais chamou minha atenção fora um trono que parecia estar sobre um fogaréu, pois seu formato era como chamas em um incêndio. A outra metade do salão era num azul tão claro que quase parecia branco. Havia um trono igualmente lindo como o anterior, porem esse parecia esculpido em gelo e brilhava como cristal.
Bom, certamente aquele lugar deveria ser à sala real dos vampiros, da qual eu já tinha ouvido falar, porém muito vagamente. Se isso fosse realmente uma verdade, eu poderia também supor que ali se encontra a maior corte de todos os tempos, onde de um lado reinava os Ice’s e do outro o lado o reino dos Fire’s, o que provavelmente significa, fogo e gelo, juntos, dando equilíbrio a natureza.
--- Não é de se surpreender que esse reino esteja um completo e total lixo. Cada dia mais me aparecem indefinidos. – surgiu uma voz retumbante no salão.
Logo após, entrou um belo garoto a passos firmes em nossa direção. Damon lhe seguia. De repente cada um dos meus “colegas” formaram um a fila não muito alinhada, me deixando como ultima da mesma. Todos eles, também, olhavam fascinados para o garoto. Virei a cabeça para encará-lo melhor.
Ele tinha cerca de 1,90 de altura, cabelos pretos, curtos e desordenados, corpo definido e tonificado. E por fim seus olhos, vermelhos como rubi. Um garoto tão estonteante que eu entendi porque todos estavam hipnotizados. Com certeza o garoto mais belo que já havia visto.
Ele parou a meio metro do primeiro da fila e fechou os olhos e alguns minutos depois disse:
--- Fire.
Em seguida se dirigiu para o segundo da fila. Refez o procedimento do primeiro e disse:
--- Ice. --- com certa amargura da voz.
E assim ele continuou, um a um, ora dizendo Fire ora dizendo Ice, ate que finalmente parou de frente a mim.
Fechou seus olhos e eu me perguntei se estaria concentrando. Alguns minutos, muito demorados, ele abriu os olhos e havia um misto de confusão e raiva ali. Ele me olhou pelo que pareceu uma eternidade e então disse:
--- Quem são seus pais? Pertencem a qual linhagem? ---
Olhei para ele me perguntando se ele estaria brincando. Alguma coisa me dizia que não. Definitivamente não.
--- Eu não sei sobre o que esta falando. Mas já que me pergunto, eu não conhec... --- ele me cortou
--- Como assim não sabe do que estou falando? Como ousa me tratar de tal maneira? --- ele perguntou raivosamente, mas, em seus olhos, havia um fio de divertimento, e seus cantos da boa subiram em um meio sorriso sarcástico e intimidador.
--- Eu Ousei o que? Qual é. Não estamos na idade média. --- eu ri.
O pequeno sorriso, ainda que sarcástico, que estivera ali antes desaparecera e seus olhos avermelhados foram tomados por uma onda de raiva.
--- Com licença, senhor. --- Damon, atrás do garoto, disse hesitantemente.
--- O que? --- perguntou ele enfim desviando os olhos de mim
--- Eu acho que ela realmente não sabe do que você esta falando. Ela é a do mundo humano. --- ele declarou.
Após alguns segundos a expressão do garoto se suavizou e ele sorriu para mim.
--- Nesse caso, minhas desculpas mon chéri ---
--- Oh claro que lhe desculpo “mon Cher”, pois seria um esforço muito grande para você que me deixasse falar em vez de se mostrar tão sem educação.
Raiva cresceu em seus olhos novamente mais o seu sorriso permaneceu.
--- Você sabe quem eu sou? – Ele perguntou, rindo abertamente
--- Creio que não, já que você não se apresentou. --- eu disse--- Mas você também não sabe quem eu sou --- eu continuei
Confusão passou por sua expressão
Ele riu. Uma gargalhada estrondosa. --- E quem é você?
--- Violet Silver. Para os amigos, apenas Vih. --- eu disse confiante. --- E você? Quem seria?
--- Eu? Eu seria Brian Theodor Thompson Spencer. Único Herdeiro vivo dos dois reinos. --- ele sorriu e elevou uma sobrancelha, parecendo me questionar.
Eu apenas sorri. Porque eu já sabia que ele deveria ser alguém importante. Pensei que talvez fosse o príncipe dos Fire já que sua roupa era negra com desenho de chamas que pareciam dançar sobre ela. Ou talvez sua postura ereta e desafiadora. Ou o seu jeito de ser superior sobre os demais e também havia os guardas que lhe clamavam de senhor a todo o momento.
--- Muito Prazer, Brian.
--- Nem um pouco intimidante? Horrorizada? --- ele perguntou e eu sabia que ele se referia ao fato dele ser o rei.
--- Um pouco decepcionada, na verdade. --- o que não era uma total mentira, porque o modo como se postava diante os outros, considerados por ele inferiores, me mostrava o quão aquele cara deveria ser ignorante e pretensioso.
Sua reação foi totalmente contrária à que eu esperava. Ele riu e então declarou, um pouco mais alto:
--- Creio que essa conversa vai demorar bastante, então espere um segundo enquanto dispenso os outros e lhes dou os horários para as aulas e podemos terminar nossa pequena discussão.
Ele entregou um pequeno papel um a um e então os meus colegas começaram a sair da sala real seguindo os guardas de Brian, no entanto, ele próprio permaneceu, sentou – se no trono vermelho e ficou então me olhando diretamente nos olhos.
Encarei aquilo com grande surpresa. Ele ficaria acomodado naquele grande trono macio, enquanto eu ficaria em pé, depois de passadas horas desse mesmo jeito? Na realidade eu não colocará meu traseiro sentado desde que havia chegado. Um total absurdo. Além de que aquela situação parecia lhe dar poder, superioridade sobre mim, não que isso não fosse verdade.
--- Vejo que a hospitalidade aqui não é grande coisa, então, com licença, mas eu vou descansar primeiro, e se puder, vou comer alguma coisa mais tarde. Estou exausta. Depois podemos enfim conversar como duas pessoas civilizadas.
--- Pessoas? Não mon chéri. Somos vampiros.
--- Ah ok! Esqueci-me desse detalhe. --- eu disse e como em resposta a “detalhe” ele ergueu a sobrancelha.
--- Você não pode ir enquanto eu não decidir em qual reino ficara. Eu quase posso sentir a chama dos Fire em você, no entanto não tenho certeza.
Continuei calada esperando. Porque na realidade para mim não me importava se eu ficaria em um reino ou no outro. Todos os dois pareciam bons para minha nova vida.
--- Bom, já que parece não ter nenhuma objeção, é nele que você ficara. No entando, me visitará diariamente para ver se consigo sentir algo em você. Na realidade você é um enigma. Nunca houve ninguém que eu não pudesse sentir.
--- Sempre existem exceções. Olha, eu preciso realmente descansar então já que já se decidiu em qual reino ficarei você não quer me dar aquele papelzinho que deu a todos os outros, para que eu possa finalmente sentar?
--- Damon, leve-a para a sala x01. --- ele gritou. E para mim ele disse: ---Até às 8:00 mon chéri.
E, finalmente, eu saí da sala real, respirando o ar puro do jardim do colégio.
Continuamos andando. Observei que o corredor estava extremamente vazio. Paramos em frente a uma porta de madeira.
--- É aqui. --- ele disse, já se virando para ir embora.
Olhei assustada para ele.
--- O que? Você vai me deixar entrar aqui sozinha, camarada? --- eu perguntei
--- Quando é para enfrentar o rei ela é corajosa, mas para entrar em uma sala com alguns alunos...--- ele sussurrou consigo mesmo, se afastando.
Então era comigo.
Bate na porta e alguns segundos depois uma mulher, de uns 30 anos me atendeu.
--- Pois não? ---ela disse.
--- Brian me mandou para cá. ---
--- Rei Brian. --- ela me corrigiu. --- Entre e se acomode.
Eu entrei na sala lotada de alunos, todos me encarando abertamente. Senti meu rosto esquentar, ate que achei um lugar para sentar. O único lugar vazio.
A sala de aula era grande e as paredes eram brancas. Havia cortinas que se estendiam ate o chão em todas as janelas. As carteiras eram em dupla, como os colégios de antigamente. O quadro negro era excessivamente grande.
--- Atenção, atenção, vamos voltar para a aula. --- a mulher disse gritando, ate que todos os alunos tiraram os olhos de mim e olharam para ela.
--- Como eu dizia: O rei é ele é a figura de respeito da nossa sociedade. Nossa base. É ele quem nós governa, nos dando sustentabilidade para permanecer a nação mais poderosa dos tempos. A ele devemos nossas vidas.
Ergui minha mão.
A senhora da qual eu ainda não sabia o nome me concedeu a palavra
--- Realmente? Quero dizer, quando você diz que ele deu a vida por nós, está mesmo falando serio?
--- Claro que sim, Srta. Silver. Ele ate mesmo hoje, nos salva a vida, pois do contraria seriamos massacrados pela humanidade.
--- Bom, então a senhora me diz que a sociedade massacraria essa raça, caso o rei não existisse, mas eu lhe pergunto: você já foi ao mundo humano? --- perguntei com evidente curiosidade
--- É que claro que não, do contrário não estaria viva agora. --- Ela disse com o cenho fechado.
--- Então vou supor que você nos conta esse fato, que para você é uma realidade, baseado em um historia ou um boato? Porque não, lá realmente não é assim.
--- Quem lhe disse isso jovem pentelha? --- ela declarou zombando.
--- Eu vivi lá por mais de 16 anos. Sendo assim creio que tenho um pouco mais de conhecimento do que uma jovem pentelha. Mas o que estou fazendo, não é para desacata – la e sim para entender em que razão se baseiam as leis pro aqui. --- adicionei correndo, após seu rosto ter tomado uma tonalidade rosada.
Assim que terminei de falar todos começaram a cochichar pelos cantos e me encaravam com certo suspense como se fosse matar alguém ali mesmo, outros olhavam com certa curiosidade.
--- Já chega, Vá para a diretoria agora mesmo Srta Silver--- Ela gritou apontando para porta.
Já ia sair quando me lembrei. --- Aonde fica a diretoria?
A classe inteira começou a rir. A Sra. Sei de tudo, com o rosto já vermelho, me pegou pelo braço e me levou para fora da sala. Ela praticamente correu me arrastando ate uma pequena sala no fim do corredor.
Ele me mandou que sentasse e ficasse na sala de espera. Ela entro em uma porta que dizia
“Diretor”.
“Diretor”.
Alguns segundos depois, ela saiu, apenas me deu um olhar significativo e trotou em direção a sala de aula.
Suspirei fundo e peguei uma das revistas deixadas sobre a poltrona.
“Rei Brian, seu reino, sua magnitude e exuberância.” Se lia na capa, onde havia uma foto dele de rosto, sorrindo como um político em época de eleição.
Então era isso. Aqui tudo se resumia no rei Brian, e quem contestasse o modo como as leis eram aplicadas se ferravam. Pelo que pode perceber em pouco tempo nessa lugar é que a população via o que o rei queria que elas vissem. Apenas isso.
--- Srta. Silver, o rei te chama.
--- Oi Damon, bom vê-lo novamente.
Eu me levantei e o segui ate a corte, de onde eu saíra há minutos atrás.
Empurrei as pesadas portas que levavam ate a sala com força e entrei. Brian, sentado em seu trono encarava-me profundamente.
--- Não agüentou esperar ate às 8 não é mesmo?
--- Ah, é claro que não, eu precisava ver novamente a sua magnitude e exuberância. --- Eu disse e lhe joguei a revista.
Pareceu a coisa errada a fazer, porque no momento em que eu a joguei, havia três guardas em cima de mim, e Damon se postava em frente a Brian, que olhava surpreso para mim.
Aos poucos eles foram saindo de cima de mim, mas ainda segurando minhas mãos. Damon pegou a revista e a revirou de ponta a cabeça como se procurasse algo entra as paginas. Depois a ofereceu a Brian que a aceitou, porem sem tirar os olhos de mim.
Com um movimento de cabeça, ele mandou os guardas me soltarem e eles o fizeram no mesmo instante e voltaram a sua posição original.
--- O QUE DIABOS FOI ISSO? --- eu perguntei, com a voz exaltada.
--- Meus guardiões em ação, é claro. Minha magnitude e exuberância devem ser temidas. --- Ele disse zombando, desta vez olhando para a revista em suas mãos.
--- Ah um erro ai. Desse jeito as pessoas não vão teme - lo. Vão temer a esses grandalhões a seu lado. --- apontei para os guardas.
--- Quando me vir em ação vai mudar de opinião tão facilmente como me insulta. --- ele disse convencidamente, mas que por alguma razão me provocou arrepios.
--- Me borrei de medo. --- isso não era exatamente uma mentira.
Ele riu.
--- Mas então, fiquei sabendo certas coisas a seu respeito.
--- Acho que se refere a minha breve divergência de opinião agora pouco --- eu brinquei com as palavras, exatamente como ele fazia.
Ele confirmou com um aceno
---Vou dizer o porquê de tudo isso. Vocês, de modo geral, não gostam de ser desafiados, muito menos de ter seus métodos contestados.
--- Do que você esta falando Violet?
Não deixei de notar que ele me chamou pelo primeiro nome.
--- Estou falando sobre o papo furado de: O rei da à vida por nos. Ele nos protege da “humanidade monstruosa”. ---
--- Mas não é a verdade?--- ele perguntou
--- Humanidade monstruosa? O resto do mundo venera vocês. Há milhões de adolescentes torcendo para ter os genes vampirescos.
--- Isso é uma parte do mundo. A também uma parte significativa, que compete com nós por poder econômico, político e militar.
--- Estou informada, porem não é como se os vampiros não soubessem se defender. Alem da força, agilidade, rapidez e tudo mais, ainda temos os dons.
Outra coisa importante sobre vampiros. Tem dons. Ou gelo ou fogo. Sempre. Não há exceções. O rei possui mais que todos que governa. O rei dos Fire’s possuía o dom de todos os seus “súditos”, assim como o rei dos Ice’s, possuía os de seus. Se Brian era um rei duplo, como ele podia possuir o poder de todos eles juntos?
--- Não somos indefesos. Eu nunca disse isso.
--- Mas do modo como a Sra. Clerpson disse, demonstrou que somos. Fez parecer que você é um herói pronto a salvar o mundo vampiresco, quando se isto você verdade eu poderia me clamar de papai Noel.
--- Nunca imaginei que o papai Noel seria a mais bela garota que eu já poria os olhos. --- eu corei.
--- Não fuja do assunto, por favor. --- eu disse brevemente.
--- Ok, chega de discutir sobre o modo como governo. Agora me diga, fiquei um tanto curioso com o que disse mais cedo.
--- O que em especifico? --- mas eu sabia do que ele se referia.
--- Sobre você estar decepcionada.
--- Ah sim. Estou decepcionada porque esperava chegar aqui e encontrar alguém que demonstrasse um pouco mais de sabedoria governando.
--- E há quanto tempo você esta aqui mesmo, para contestar a minha inteligência, mon cheri?--- Tenho que admitir: o cara era bom com as palavras.
--- Eu não precisei de tempo para lhe julgar, afinal a primeira impressão é a que vale. --- Eu lhe disse, piscando um olho.
--- Ok, agora me diga, o que lhe fez chegar a essa conclusão sobre mim?
--- Sinceramente, você se acha superior demais. Quando você nomeou os alunos nessa mesma sala você nem ao menos se preocupou em lhes perguntar o nome. Você apenas disse a eles a qual linhagem pertenciam. Nem ao menos um olhar.
--- Um rei é superior aos seus súditos. E quanto a perguntar a cada um deles o nome, seria desperdício de tempo já que eu tenho coisas mais importantes a fazer.
--- Não estamos na idade media. Quem você governa, não são seus súditos e sim uma sociedade. Você, pelo menos para mim, é como um presidente.
--- Vocês são sim meus súditos, Violet. Os vampiros, diferentes dos humanos, continuaram com os costumes da idade media.
--- Os humanos, então, se mostraram mais inteligentes que os vampiros nesse contexto, já que esse sistema foi claramente descartado por não funcionar. Sempre houve, e sempre haverá alguém que iniciara uma revolução contra esse sistema, pois nele não é a maioria que decide seu sucessor, e sim meramente a origem do sangue.
--- O que você parece não entender é que nós, vampiros, somo bem diferentes dos humanos. Nós fizemos esse sistema funcionar desde sempre, e não será agora, nem nunca, que ele irá cair.
--- Um dia cairá. O mundo muda. Os humanos mudam. E por mais que não pareçam, os vampiros também.
--- E você supõe que esse dia ocorrerá por agora?
--- Não sei. Pode ser hoje, amanha, ou talvez daqui a décadas, milênios. Mas o fato é: um dia mudará. --- eu disse em um levantar de ombros.
Ele me olhou, como se estivesse me analisando. Quero dizer, realmente me olhou.
--- O que? --- eu perguntei depois de alguns minutos em um silêncio desconfortável.
--- Você é realmente diferente. Há algo em você. Só não sei exatamente o que.
--- O que quer dizer? Você se refere ao meu modo de pensar, ou ao fato de você não conseguir identificar em qual reino realmente pertenço?
--- Eu me refiro a tudo, Violet. --- O modo como ele disse meu nome, foi tão poderoso que quase me fez tremer. Quase.
